“ – Aguarde uns minutos, pode ser que tenhamos sorte com o próximo.”
E naqueles dois ou três minutos de espera ainda dentro do táxi, confessou-me que também tinha um filho em Angola, que entendia muito bem a vida de um militar e que me ia ajudar esperando o tempo que fosse necessário.
Era muito raro, uma [...]
Archive for Junho, 2006
RETALHOS – A sabotagem (fim)
Junho 30, 2006RETALHOS – A sabotagem (V)
Junho 30, 2006Ao fim de quatrocentos quilómetros e de nove horas intermináveis, desembarco na estação de Santa Apolónia em Lisboa, por volta das sete da manhã. O dia estava bonito, o sol a despontar e uma pequena brisa trazia a maresia salpicada com o bafo do Tejo ali mesmo ao lado.
Com as pessoas ainda ensonadas e taciturnas, [...]
RETALHOS – A sabotagem (IV)
Junho 30, 2006A notícia colheu meio mundo de surpresa. A BA3 era o maior complexo militar da Força Aérea sendo uma base de aviação de ligação, transporte e treino de tropas pára-quedistas, para além de ser uma unidade também de treino dos pilotos para a guerra colonial.
Fora ali desencadeada pela ARA (Acção Revolucionária Armada) uma acção com [...]
RETALHOS – A sabotagem (III)
Junho 30, 2006“- Zé, venha cá depressa” – meio assustado e meio atónito pela forma como ela me chamou, pensei logo que íamos ter chatice.
A primeira frase que me veio à cabeça foi: “calma se’Maria, eu quando vier da guerra caso com a sua filha”.
“- Olhe e veja esta notícia na televisão, parece que há problemas na [...]
RETALHOS – A sabotagem (II)
Junho 30, 2006Enquanto isso, nos Estados Unidos, meio milhão de pessoas marchava contra a Guerra do Vietname em Washington. Uma guerra injusta, em que os USA se envolveram no conflito a pretexto de um ataque norte-vietnamita aos seus navios USS Maddox e USS C.Turney Joy que patrulhavam o golfo de Tonquim, em Julho de 1964. Hoje, sabe-se [...]
RETALHOS – A sabotagem (I)
Junho 30, 2006Como era o mais antigo, decidi entrar logo de serviço ou de prevenção vinte e quatro horas por dia, naquela semana. Se não houvesse embarques para África o trabalho era quase nulo ou rotineiro. Os focos de problemas só surgiam ao fim-de-semana e as saídas de ronda pela capital eram normalmente tidas como efeito dissuasor.
O [...]
A velha Ponte Eiffel de Viana do Castelo
Junho 28, 2006Os carros podem não voltar a circular na velha Ponte Eiffel de Viana do Castelo. Fonte do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) disse ao Correio da Manhã que os problemas detectados recentemente em dois dos pilares podem levar ao encerramento definitivo da ponte, incluindo o tabuleiro ferroviário.
Já foi informado o Ministério das Obras Públicas [...]
Grávidas em Badajoz
Junho 28, 2006“para todos os efeitos, a ida das grávidas para Badajoz é um acto voluntário. Não são obrigadas a escolher esse hospital ”
RETALHOS – O princípio do fim III (fim)
Junho 24, 2006Naquela primeira semana, saí para a rua com mais 4 PA’s. Utilizávamos um unimogue que mais parecia uma pandeireta, dando sinais sempre que o condutor se deliciava a fazer perícias. Dar uma cambalhota e projectar-me, não para casa desenfiado, mas para a enfermaria com o chassis feito num oito, era sempre o mais provável.
Onde houvesse [...]
Um conceito de patriotismo
Junho 22, 2006“…Tal como aprendi as ver as coisas, o patriotismo não é arvorar bandeirinhas nacionais às janelas quando do Europeu ou do Mundial. O patriotismo, para mim, é pagar impostos, ser útil à comunidade de alguma forma, servir o seu país, quando se tem ocasião para tal e sem esperar nada em troca. E os heróis [...]
RETALHOS – O princípio do fim II
Junho 21, 2006Aproximaram-se os novos colegas da polícia e militares da Força Aérea, e um deles ajudou à missa dizendo:
“ – Nosso Pára, aproveitem. Já os outros que cá estavam faziam o mesmo. Esta tropa é para se fazer nas calmas… enquanto cá estão aproveitem.”
O Araújo, sujeito aparentemente bonacheirão, mas vivaço e sempre pronto a tirar proveito [...]
RETALHOS – O princípio do fim I
Junho 17, 2006Ao fim de oito meses de instrução e preparação, para uma guerra algures em África, apercebi-me, desde o primeiro dia, que este destacamento para a polícia podia ser como umas férias merecidas. Antes que a guerra tomasse conta de nós, esta era a última oportunidade de respirar a liberdade e apreciar a capital histórica de [...]
RETALHOS – O princípio do fim
Junho 15, 2006A contestação oblíqua ao sistema colonial, de forma camuflada e sobre a capa de reivindicações laborais é afogada em sangue pelas punições militares e paramilitares. Três manifestações, por melhores salários, acabam em morticínios: a 3 de Agosto de 1959, em Pidjiguiti, na Guiné, cerca de cinquenta estivadores são mortos numa acção reivindicada pelo PAIGC – [...]
Amor é…
Junho 10, 2006… repartir o que quase não se tem!
Veja a Foto, publicada num jornal indiano, com a legenda:
“Só quem é pobre procede com tanta generosidade.
Que pena o HOMEM não ser sempre assim.” e reflicta.
Asneiras do Sargentão
Junho 7, 2006Scolari deve estar consciente de que, se falhar, não serão apenas meia dúzia de intelectuais que o vão criticar. Nesse dia, Portugal ficará repleto de intelectuais. A maioria porque não gosta de perder. Os outros porque até gostariam de o ver perder.
Luiz Felipe Scolari é, na minha opinião, o melhor seleccionador que Portugal [...]
Musicalidades…
Junho 4, 2006Música…
Música que tráz…
Música que leva…
Música…
Que convida a dançar…
Que faz vibrar, sentir,
agitar todas as partículas do ser…
…do pensamento!Música…
Que faz avivar, brotar experiências,
vivências passadas,
adormecidas,
paradas, inactivas!
Experiências, no tempo vividas, sentidas…
Marcas que ficaram gravadas,
algures na memória…
Pela música…
de novo reacendidas, activas!
Despertas… entreolham-se,
entrechocam-se…
Marcas… que o tempo não apagou!
Música…
Que leva para longe…
mágoas que sempre esquecemos…
sempre lembramos!
Música…
Que tráz marcas de outros tempos…
Feridas que [...]
“Amêndoas Cobertas” de Moncorvo
Junho 3, 2006Quem não gosta de, pela Páscoa, deliciar-se com umas amêndoas doces, de chocolate ou simplesmente cobertas de açúcar de variadas cores? Ou então, as chamadas Amêndoas Francesas que, perdoem-me, de amêndoa nada têm pois é apenas açúcar recheado com licor, mas que deliciam não só pelo conteúdo, mas também pelas formas pouco vulgares que apresentam. [...]
RETALHOS – Não sei para onde vou… mas vou (fim)
Junho 1, 2006Todos os que se apresentaram, formaram na parada do quartel, bem alinhados e disciplinados. Sentiam-se numa antecâmara onde nem todos conseguiam disfarçar uma crescente angústia, como os bois quando se apercebem que vão para o matadouro. Pela memória passavam as imagens tristes que o povo já se habituara a ver na televisão: o navio afastando-se [...]

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