A cultura do ódio – parte dois
Eu também estive numa guerra, mas felizmente não vi nem pactuei com atrocidades vergonhosas como a que estamos assistindo e entrando pelas nossas casas dentro sem pedir licença. Sei que é outro tempo e outro tipo de guerra, mas a guerra é sempre uma guerra seja em que ponto se situe.
Se somos ex-combatentes de uma guerra que durou 13 anos e que infelizmente ainda se prolongou muito mais tempo essa guerra fratricida entre irmãos da mesma cor e solo pátrio.
Essa memória que o tempo não apagou devia-nos servir para em nome disso apelarmos ao bom senso e ao fim da guerra.
Dizer que quem quer a paz tem que fazer a guerra, já só faz sentido no espírito belicista dos americanos e seus afins, de forma a alimentar uma industria de guerra que não olha a nada e que tem que inventar sempre uma guerra, mas bem longe, para que não sofram os seus efeitos.
Não é educar as crianças desse modo, e nem um lado (árabes) nem o outro (judeus) estão isentos.
É a cultura do ódio, que deu título a este post, e eu como ex-militar e ex-membro de uma força de elite que combateu na guerra de África, recuso-me alinhar nem por um lado nem pelo outro, o meu lado é o dos inocentes civis, de ambos os lados. Das crianças, das mulheres e dos velhos, pois são esses sempre que pagam a factura mais alta.
A solução é tão simples: basta pôr em execução as inúmeras Resoluções da Assembleia e do Conselho de Segurança da ONU sobre a questão palestino-israelense. Nunca foram colocadas em execução porque os Estados Unidos decidiram que a ONU não apita na região, quando o assunto envolve Israel. Lá a ONU só serve para dar cobertura a invasão de países árabes, como o Iraque.
Segundo O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, a autoridade e a razão de ser do Conselho de Segurança estão postas em causa. As pessoas perceberam o seu fracasso nesta crise, não conseguindo actuar rápida e eficazmente e tudo isto, acrescento eu, porque os americanos são do contra, esta guerra interessa-lhes.
NÃO Á GUERRA
Julho 31, 2006 at 1:06 am
Só posso dizer que subscrevo completamente este texto, e acrescento: A guerra não é um fim em si. As guerras são a absolutização da política e, no caso vertente, já foi assumido pelo Bush, que um dos objectivos é reforçar a influência americana e dos seus aliados, no Médio Oriente.
Independentemente de quem tem ou não razão, uma questão se impõe às pessoas mentalmente sãs, que é expressar o seu NÃO À GUERRA!
Julho 31, 2006 at 1:53 am
É verdade, são tantos os interesses, movidos pelos mais ilusórios e egoisticos motivos, os quais todos nós sabemos, e sabemos também com você bem falou que as soluções existem de fato, e dependendo apenas da vontade dos homens de poder, que não exercem seu “real poder”. orgulho-me quando algém como você fala neste sentido, pelo menos sabemos que existem pessoas que lutam por mudar esta horrenda situação. Tem todo o meu apoio e admiração, Zé.
May
Julho 31, 2006 at 9:01 am
Obrigado João,
É bom que os ex-militares que também estiveram na guerra, seja os primeiros a levantar a voz contra estas atrocidades perpetuadas contra a humanidade.
Um abraço
Julho 31, 2006 at 12:37 pm
Totalmente d’acordo com teu texto Zé…nisto tudo quem sofre sao inocentes, quém esta por traz sao os estados unidos …
penso que so com o dialogo pode haver Paz..
a guerra é um horror, é crual, é inadmissivel que ainda aconteça hoje , na nossa epoca..estes governos sao malucos ??? como podem aceitar ver morrer crianças, mulheres, pessoas inocentes com maluquices de algums ?
Achas que eles têem alguma ” Memoria” ?
Nao consigo comprender como coisas dessas existem …
queria acordar e ver que foi simplesmente “un cauchemard”..
bjos
Julho 31, 2006 at 12:47 pm
Como não se revoltar,indignar diante dessas crueldades,que nos são impostas diariamente,com imagens de barbaridade.!
.Ser humano sendo impedido de viver em plenitude.
Não consigo entender os pensamentos dos dirigentes(será que a alma ,e sentimentos ainda existem?).
Que nós possamos lutar sempre ,para o terminio de guerras em geral.
Ligia
Agosto 3, 2006 at 1:34 pm
Sinceramente
Há dias que nem posso olhar a TV, tanto pedaço de carne espalhado pelas ruas, tanto sangue derramado, tanta dor…………
Que mundo é este onde ninguem se entende….
Como se não bastasse a vida está cada vez mais cara…
Que coisa !!!!!
Jinho
Glória