Sim ou Não
Quando falamos em Sim ou Não, não perguntamos se sim ou não à vida, não creio que homem ou mulher dissessem sim ao acabar uma vida.
E vida não e só a partir das 12 semanas, vida é a partir do momento em que o espermatozóide penetra no óvulo, ai se cria logo uma vida.
A pergunta é se estamos de acordo, que o aborto seja considerado crime, com as excepções previstas na lei, ou se somos a favor que o mesmo seja legalizado, ou seja, que deixem de morrer mulheres, quando optam não ter o filho, muitas vezes por razões económicas e sociais, e porque não lhe criaram condições de vida.
Mas quem somos nós para decidir pela mulher? Quem somos nós para julgar ou condenar a mulher? E com que direito podemos criticar?!!
Se dissermos não à despenalização, não haverão abortos? Não haverão mulheres que morrem, por falta de assistência e por falta de apoio?
“A cada 6 minutos morre uma mulher vítima de um aborto clandestino feito em más condições, não deveriam ser elas a decidir o que era melhor para elas?”
A legalização, serviria pelo menos para assegurar a vida destas mulheres, todos nós sabemos que são nas classes mais pobres, onde esta prática é realizada com mais frequência, e sabemos também que há e hão-de haver em todas as classes, a diferença é que nem todas podem faze-lo em clínicas privadas e ate deslocarem-se ao estrangeiro onde são bem tratadas e não correm risco de vida.
É solução prender as mulheres?
Será justo uma criança vir a este mundo, e não ser desejada?
Será justo uma criança não vir a ser amada?
Será justo uma criança não ter a chance de vir a ser feliz?
Será justo, homem ou mulher, governo ou igreja, decidir pela mulher que decidiu, e sabemos nós lá com que custo, optar pelo aborto?
Não é justo.
Seria justo, haver informação, haver condições sociais, haver apoio e haver dignidade na nossa sociedade.
Eu votarei de forma inequívoca no SIM

Dezembro 15, 2006 at 12:31 pm
Olá, Zé.
Muito bem colocada a questão e também concordo contigo no que dizes. É claro que as condições sociais, a falta de informação, e sobretudo a falta de dignidade levam muitas vezes à esta situação. Lembro-me de ter assistido à um filme há uns 6 anos atrás, cujo título em português é “Regras da vida”, onde a trama se passava durante a segunda guerra, e a temática era justamente esta, a legitimização do direito do aborto emalgumas situações. É muito bom o filme, e tem tudo a ver com o que escrevestes. E quanto ao julgamento das pessoas e instituições em relação à tudo isto, passa apenas por uma necessidade superficial de atender à alguns “valores morais” à serviço da prevalência das ditas instituições, em detrimento da realização e crescimento do SER, o que é fundamental. Havemos sim, que ainda buscarmos evoluirmos nossos questionamentos a respeito de como nos relacionamos uns com os outros, de como lhes damos condições de crescerem enquanto pessoas, antes de simplesmente dizermos Sim, ou não a uma questão que não é tão simples.
Beijos
May
Dezembro 15, 2006 at 10:43 pm
A questão é extremamente complicada.
Como o voto é sigiloso, respondo também com uma pergunta, indo ao encontro da população com a qual trabalhei e trabalho: “- Com a despenalização, quantos recorrerão ao aborto como meio de não usar contraceptivos?”
Um abraço
Dezembro 16, 2006 at 2:05 am
Olá
Maravilhoso este texto
Verdadeiro e real
Alias vindo de vc não poderia ser diferente
Parabéns mais uma vez
Um beijo e bom final de semana
Dezembro 16, 2006 at 2:32 am
estou plenamente de acordo. Sou mulher e adoro crianças . Mas não basta adorar.
Sou a favor do aborto, pk não é o facto de de a lei não permitir que impede a sua pratica.
muito mais há para dizer mas … fico apenas com este breve comentario.
Dezembro 16, 2006 at 2:37 am
tomo a liberdade de dizer umas breves palavras sobre o comentario do Vasco Pereira.
Caro Vasco sou mulher e digo-lhe que nenhuma mulher recorre ao aborto em alternativa ao contraceptivo e sabe pk? pk simplesmente como deve imaginar fazer um aborto não é facil. concerteza que será bem mais doloroso do que usar contraceptivo. e nenhuma mulher tem prazer de sofrer numa sala d hospital ou clinica. não lhe parece?
Dezembro 16, 2006 at 10:08 pm
É justo uma mulher só por ter um útero decidir se mata uma criança ou não, fruto de duas pessoas?
O homem só serve para injectar esperma não tem uma palavra a dizer?
O aborto por ser legal não existiram abortos clandestinos?
É justo num país que tem 327 mil doentes á espera de uma cirurgia ter as salas de operações ocupadas porque uma senhora não sabe o que é o perservativo a pilula do dia seguinte e que matar o seu filho?.
Só os homens que se querem eximir da responsabilidade do acto sexual fazer da mulher objecto não apoiar a companheira SÓ ESSES É QUE SÃO A FAVOR DO ABORTO LIVRE OU QUE JÁ OBRIGARAM UMA MULHER A FAZE-LO.
Qual é a coisa mais bonita que uma crinça a sorrir?
Em vês de matar as crianças deviam apoiar as mães solteira e não chamarem putas aquelas que desejam ter os filhos mesmo sendo solteiras.
Por tudo isso eu VOTO NÃO.
Dezembro 17, 2006 at 12:50 am
Caro António,
Por haver mentalidades como a sua é que a mulher precisa recorrer ao aborto.
Há muita coisa injusta neste mundo infelizmente, mas do corpo da mulher só ela pode e deve decidir. Não é por pessoas como o Anónio dizer Não à liberalçização do aborto, que ele não vai existir, pense nisso! A interrupção voluntaria da gravidez, foi e será uma opão da mulher, que não o faz por prazer, mas sim por necessidade, pk muitas veses a sociedade e a vida, não a faz ter outra opção.
Dezembro 19, 2006 at 3:42 pm
A frase ideal seria:
“Concorda com a interrupção voluntária da gravidez nos casos de risco de vida para a mãe, feto ou nos casos em que foi detectado problemas genéticos no feto, que comprometam a sua vida futura?”
Aí responderia sem dúvidas SIM. No entanto, a frase é outra e, como para abranger estes casos infelizmente tem que se votar SIM, no entanto não concordo com a solução do aborto como contraceptivo.
Dezembro 19, 2006 at 5:37 pm
Muito bom o texto sobre matéria tão sensível. Eu voto pela liberdade da mulher. É ela que deve decidir o caminho da felicidade, da sua felicidade…, e isto nunca pode ser considerado crime em qualquer sociedade de homens e mulheres livres. Os que defendem a criminilização da IVG, são os mesmos que defenderam a invasão do Iraque e de outros tantos Iraques nos últimos trinta anos e aí nunca lhes ouvi a reprovação pelas consequências mortais de crianças provocadas por estes acontecimentos tremendamente injustos e desumanos.
Um Abraço
Dezembro 20, 2006 at 11:08 am
ola Zé!
teu texto esta muito bom e o comentario do “Manuel Gomes” também…
so queria dizer a mais que o aborto existe e sempre existera seja ele o nao proibido..
normalizar o que exista é simplesmente para que ele seja feito em boas condiçoes, é uma questao de saude publica…a mulher merece isso, ela nao faz isso por prazer..também nao sera por isso que havera menos abortos…o que falta sao campanhas de informaçao sobre a contracepçao afim de evita-los…
um beijo
Dezembro 27, 2006 at 6:41 pm
Olá Zé!
Não posso deixar de comentar o texto …em parte concordo plenamente !
Mas repara :
Se o “Não” ganhar, ainda é possível fazer alguma coisa para diminuir o aborto clandestino. Campanhas de informação que expliquem às mulheres que não tenham medo de recorrer ao hospital ou ao seu médico de família e colocar o seu problema: há muitas situações em que o aborto pode ser realizado legalmente, designadamente aquelas relacionadas com aspectos psicológicos, que a actual Lei prevê.
As mulheres que recorrem ao aborto por desespero (e há situações terríveis que nem gosto de imaginar) terão a ajuda do médico e, se for justificável, o aborto será realizado dentro da lei.
o “Não” é um incentivo a que se procurem outras soluções, mais dignas e mais humanas. O “Não” é um sinal de que os portugueses não se demitem das suas responsabilidades. O “Não” é um sinal claro de que queremos uma sociedade melhor, de que escolhemos o certo em detrimento do fácil.
O “Não” não é uma condenação a mulheres desesperadas. É uma mensagem de esperança em que é possível fazer melhor do isto. É possível resolver os problemas em vez de os ignorar e atirar o lixo para baixo do tapete.
Vote em consciência e com informação.
Eu vou votar “Não” e tenho a consciência tranquila.
Elisabete Pinheiro
Abril 15, 2007 at 12:37 pm
Eu acho que já comentei sobre este assunto em qualquer lado, mas volto a fazê-lo com muito prazer. Em primeiro lugar sou mulher, e também tenho o prazer de ser mãe, mas quando engravidei da minha filha mais nova pus a hipotese de abortar, não porque não quisesse ter mais filhos mas sim devido a circunstâncias da vida, que não vale a pena falar delas aqui, mas não tive coragem de o fazer, hoje orgulho-me muito da minha filha, por isso digo com convicção que secalhar não era capaz de o fazer, mas estou plenamente de acordo que se possa fazer livremente com consciencia, até porque, sim é verdade que morrem muitas mulheres que não o podem fazer em condições dignas, e, sabemos lá se as mulheres que sentem necessidade de o fazer não estarão a sofrer? e esses homens que se dizem homens, e se acham no direito de decidir pelas mulheres, quantas vezes as abandonam, e quando as abandonam, normalmente e infelizmente abandonam também os filhos que fizeram questão de ter, não se importando com o seu destino, então aí já não se lembram que um dia fizeram questão de decidir pela mulher, isso já não é crime? que visão fantástica tem a nossa lei sobre o aborto. E, então, quando há violação a nossa lei prevê o aborto, aí já não é considerado crime? então resolve-se um crime (violação) com outro crime? como é fantástica a nossa lei, e eu sei do que falo, porque lido com leis todos os dias. Muito mais haveria a dizer a esses “Senhores” que se acham, coitados, e os padres? quem são eles para opinarem sobre isso, se nem casados são, e muito menos têm a preocupação de trabalhar para manter uma família, nem sequer se preocupam com nada a não ser dizerem, ( a mim não porque não sou católica, precisamente por coisas destas e outras) “tende paciência, são os designios de Deus” é que nós vamos pôr esses conselhos na mesa quando chegar a hora de alimentar os filhos, tenham dó. E as crianças “depositadas” em centros de acolhimento para serem adoptadas, que não têm ninguém que os queira? já pensaram que podem nunca terem sido desejadas e como não se pode fazer aborto, vão para lá não é? Fantástico. Acho que por hoje já chega, e, já dá que pensar.
Um beijo
Renata Silva