Nas ervas
Escalar-te lábio a lábio,
percorrer-te: eis a cintura
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso
descer aos flancos, enterrar
os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta
aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão.
porque é terrível
subir assim às hastes da loucura,
do fogo descer à neve.
abandonar-me agora
nas ervas ao orvalho -
a glande leve.
Eugénio de Andrade
Janeiro 11, 2007 at 5:14 pm
Lindo poema de Andrade…
“Mourir de plaisir”, uma cansao interpretada pelo Charles Aznavour..quer dizer “morrer de prazer”..quem nao queria isso ?
Olha Zé, tenho um convite para ti no meu blog, fazes parte das minhas vitimas..
beijos
Janeiro 12, 2007 at 3:32 am
Une beleza à todo o misto de sensualidade e milhões de emoções, que nos remetem com certeza a vivenciar toda esta situação no imaginário, pela forma como é descrito e narrado o poema, e o imaginário chega a tornar-se real, pelas sensações que desperta.
Amei.
Beijos
May.
Janeiro 13, 2007 at 10:18 pm
Andrade,com seu poema desbrochando sentimentos!
Ligia
Janeiro 15, 2007 at 2:10 pm
A beleza das palavras transforma-se na magia de sentimentos.
Sempre belo ler-te
Gsilva
Janeiro 16, 2007 at 12:23 pm
…Eugénio de Andrade… adoro.
“Nas ervas”
… é o supremo da consumação…
Janeiro 21, 2007 at 1:04 am
Sempre Eugénio de Andrade e um Bom fim de Semana para si.
Janeiro 22, 2007 at 6:05 pm
Zé, como estás?
O poema é lindo, sensual e ousado…
Beijos
Março 1, 2007 at 11:20 am
Eu sou uma leitora ávida da blogosfera e vim conhecer o seu espaço…
Tenho sempre tanto a aprender…
Já está nos meus favoritos..
Beijo
Fevereiro 7, 2009 at 9:43 pm
Poema mais que fantastico