Uma questão de peso
Por outras palavras
O ex-bastonário Júdice acusou na TV o actual bastonário Marinho Pinto de ser “gordo”, comparando-o a outros dois desprezíveis gordos, Chávez e Mussolini. Isto porque o actual bastonário disse alto e bom som que “há uma criminalidade em Portugal, da mais nociva para o Estado e a sociedade, que anda aí impunemente. Muitos exibem os benefícios e lucros dessa criminalidade e não há como lhes tocar. Alguns até ocupam cargos relevantes no Estado português.”
E, pior, disse que se “esbanjam milhões de euros em pagamentos de serviços cuja utilidade é duvidosa”. Só, de facto, um gordo se lembraria de falar em público de uma coisa destas. Um gordo ou um tipo com “voz de cana rachada” (a fina metáfora é também de Júdice) como Louçã.
Do que o país precisa é de homens de cara laroca, elegantes e de voz maviosa como o próprio Júdice. As ideias engordam e ninguém vai a lado nenhum com ideias.
Além do mais, a magreza (incluindo a magreza de propósitos) permite passar por certos interstícios político-partidários e atalhar caminho.
Parece que o Supremo Administrativo obrigou agora o Governo a revelar os “pagamentos de serviços” que vem fazendo a alguns advogados. Talvez então Marinho Pinto perceba, e os portugueses também, quanto vale (em milhões de euros) ser elegante.
Manuel António Pina