Archive for the '... da Poesia' Category

Sidónio Muralha “Poemas de Abril”

Agosto 4, 2007

O barco era belo
rasgaram-lhe as velas,
intrusos cuspiram
no seu tombadilho
e o homem sem barco
seguiu pela estrada
com ondas redondas
rolando nos pés.
Gastou os sapatos
de tanto horizonte,
quis beijar a vida
ninguém o deixou,
quis comer, quis beber,
disseram que não,
sentiu-se doente
mas não tinha cama.
Soprou temporais
no sangue, nas veias,
e todo o seu corpo
foi fúria e foi quilha,
cercaram-no logo
com altos rochedos
e o homem [...]

já não havia mais ninguém para reclamar…

Maio 4, 2007

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia [...]

Como eu não me importei com ninguém

Maio 3, 2007

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não [...]

E porque não dissemos nada…

Maio 2, 2007

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
 
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
 
Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta. [...]

Tu que dizes não…

Janeiro 24, 2007

Mulher triste e que chora
Incompreendida e julgada
Pelo homem e pela sociedade
É muitas vezes abandonada
Quem es tu para dizer
Que te preocupas com a vida
Qual vida?! Sim, qual vida?!!
Do embrião?!
Ou desta sociedade empobrecida?
Falas de Deus, falas de crime
E só pensas em punição
Onde está essa moral?
Aprendeste isso com a Religião?!
Deixa a mulher decidir,
Não sejas tu a puni-la
Não julgues [...]

Nas ervas

Janeiro 11, 2007

Escalar-te lábio a lábio,
percorrer-te: eis a cintura
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso
descer aos flancos, enterrar
os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta
aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão.
porque [...]

Querido Filho

Dezembro 30, 2006

Quinto poema do pescador

Dezembro 28, 2006

Manuel Alegre
Eu não sei de oração senão perguntas
ou silêncios ou gestos de ficar
de noite frente ao mar não de mãos juntas
mas a pescar.
Não pesco só nas águas mas nos céus
e a minha pesca é quase uma oração
porque dou graças sem saber se Deus
é sim ou não.

Ilustrado com este belíssimo do não menos ilustre Mestre Mário [...]

Praia deserta

Novembro 8, 2006

Gosto de andar na areia da praia deserta
Sobre as conchas e mais vida encoberta
Gosto quando as dunas se viram e sorriem para mim
Pensar que o céu e a terra se cruzam
Num azul sem fim
Gosto de pensar que tudo aquilo é só para mim
Sinto a areia que canta e encanta
E encanta um mundo [...]

PROCURA-SE UM AMIGO

Outubro 25, 2006

Vinícius de Moraes
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter
coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de
poesia, de madrugada, de pássaros, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das
canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir
falta de não [...]

Solidão

Outubro 24, 2006

Solidão não tem rosto
Solidão sente-se sem explicação
É ausência de carinho
É sentir-se só na multidão
Solidão é sentir vazio o ninho
É desamparo do coração
É saudade de um miminho
Falta do toque de uma mão
Ausência de um refúgio
Não ter com quem compartilhar
Os sonhos e a ilusão

 

Adriano Correia de Oliveira

Outubro 19, 2006

Adriano Correia de Oliveira
 

Porto, 9 de Abril de 1942 – Avintes, 16 de Outubro de 1982
Eu canto para ti um
mês de giestas
Um mês de morte e
crescimento ó meu amigo
Como um cristal
partindo-se plangente
No fundo da memória
perturbada
 

Saudades de Adriano

Recordar Adriano

Conhecer Adriano
 
Com a devida vénia de:
Atento

Metade

Agosto 28, 2006

Pode ouvir

 
E que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda [...]

Quem resiste a uma bela flor?…

Agosto 11, 2006

Quem resiste a uma bela flor?…
São tantas na terra espalhadas
Geradas pelo supremo criador
Deviam ser todas amadas…
Formadas com muito amor
Cada uma tem sua beleza
Todas tem o seu valor
No mundo da natureza
Olhamos os lírios dos campos
Vestidos por DEUS com carinho
Nem os reis tem os seus mantos
Assim diz num pergaminho
A elas coube uma boa comparação
Valores iguais no jardim [...]

S.O.S – Socorro!!!

Agosto 7, 2006

Eram 3h. da manhã acordei com um incêndio
na minha casa e começou no meu quarto!
Não quis ligar para os bombeiros.
Não tinha mangueira, nem nada!
Tentei apagar o fogo com as mãos.
Demorou cerca de 1 hora.
Estou na fase do rescaldo.
Não consigo dormir!
Tenho medo que volte a reacender!
Ainda não contabilizei os estragos.

Lila Loureiro,
Viana do Castelo

Musicalidades…

Junho 4, 2006

Música…
Música que tráz…
Música que leva…
Música…
Que convida a dançar…
Que faz vibrar, sentir,
agitar todas as partículas do ser…
…do pensamento!Música…
Que faz avivar, brotar experiências,
vivências passadas,
adormecidas,
paradas, inactivas!
Experiências, no tempo vividas, sentidas…
Marcas que ficaram gravadas,
algures na memória…
Pela música…
de novo reacendidas, activas!
Despertas… entreolham-se,
entrechocam-se…
Marcas… que o tempo não apagou!
Música…
Que leva para longe…
mágoas que sempre esquecemos…
sempre lembramos!
Música…
Que tráz marcas de outros tempos…
Feridas que [...]

Se tu… Se eu… Se nós….

Abril 27, 2006

Se tu….
Divagares silenciosamente…
Nas memorias que deixaste
Quando me abandonaste…
E recordares intensamente
Os beijos que te atribui…
Todos os sorrisos …
Que só por ti sorri.
Todos aqueles momentos
Inesquecíveis ….
Que caminhaste a meu lado.
E que tocaste na minha mão,
Com tamanha gentileza,
Que só aquele ténue toque…
Que roçou em minha mão.
Só aquela brisa,
De um adulterado amor….
Embriagou o meu coração!
Se tu…
Pensares em mim….
Com amor!
E [...]

25 DE ABRIL

Abril 25, 2006

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

ANDERSEN, Sophia de Mello Breyner
in “ Obra Poética II”

Tambem começo a estar…

Abril 7, 2006

FARTO DE…
Farto de ser o culpado sem ter culpa de nada
Ser rejeitado farto de conversa fiada
Farto deste sistema de merda que nos engole
Farto destes políticos a coçar colhões ao sol
Farto de promessas da treta
Sobem ao poder metem as promessas na gaveta
Farto de ver o país parado como uma lesma
Ver as moscas mudarem e a merda [...]

Revivescendo…

Março 20, 2006

Tento recordar….
Desesperadamente!!!
Todos os momentos
Que amei!
Todas as noites
Em que chorei.
Todas as noites
Que te acolhi…
Que sorri, e que morri!
Noites que me perdi…
Só para te encontrar.
Hoje sei que sou…
Menos que um pedinte…
Esmolando afeição!
Peço esmolas de amor…
Esmolas de aceitação.
Mas tudo me negas…!
Tudo me desilude!
Até a paixão…
Pois como posso amar?
Como posso chorar?
Se mataste meu coração?
Parece mentira!
Eu sei….
Mas não deve ser….
Pois [...]

Maria (mãe)

Março 2, 2006

Maria (mãe) é o pilar principal da minha vida, tem sido a minha força e alento nesta caminhada de mais de meio século, sem ela eu não seria nada. Uma guerreira desde ontem passando pelo hoje e querendo-me ver bem enquanto guerreira nesta luta que é a vida no amanhã.

A poucos dias de completar 84 [...]

RECORDO AINDA

Janeiro 13, 2006

Recordo ainda… e nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta…Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança…Estrada afora após segui… Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o [...]

A ti não…

Janeiro 1, 2006

Fecho os olhos para a vida
E pondero na minha amargura
Ouço tuas palavras,
Teus sentimentos
Em todas as pedras da rua!
Levanto-me desta cadeira
Que tanto conforto me consagrou…
Que me abraçou e acariciou
E em seu regaço onde chorei
Tantos minutos passei
Imaginando ser o teu.
Pego em mais um cigarro
Divago em cada inspiração
Revejo cada olhar,
Cada carta
Cada carência de afeição.
E hoje compreendo…
Fui forçada a [...]