RETALHOS – A sabotagem (II)

Enquanto isso, nos Estados Unidos, meio milhão de pessoas marchava contra a Guerra do Vietname em Washington. Uma guerra injusta, em que os USA se envolveram no conflito a pretexto de um ataque norte-vietnamita aos seus navios USS Maddox e USS C.Turney Joy que patrulhavam o golfo de Tonquim, em Julho de 1964. Hoje, sabe-se que o ataque foi uma farsa do governo estado-unidense para ter um pretexto de intervir no Vietname. O Povo levantou-se contra uma guerra em que os vietnamitas tiveram de suportar baixas e bombardeamentos terríveis. Entre os militares americanos, 57 939 perderam as suas vidas.
Hoje, sabe-se também que, na guerra em África, Portugal apenas com 10 milhões de habitantes onde entre os anos 60 e 74 emigrou um milhão e meio de portugueses, fez um esforço cerca de nove vezes superior ao dos EUA, no Vietname, que possui 250 milhões de habitantes. Portugal mobilizou para a guerra do ultramar mais de 800 mil jovens, teve 8 mil mortos, 112 205 feridos e doentes, 4 mil deficientes físicos e estima-se que haja cerca de 100 mil doentes de stress de guerra. À defesa era destinado 40 % do Orçamento de Estado.
O mundo acordava. Os povos dos países fazedores de guerras e que tinham liberdade… protestavam contra todos os Vietnam’s, outros levantavam-se em armas e tudo faziam para alertar consciências, minando e sabotando os regimes.
Perante este cenário de guerra, eu, como tantos outros, sabia o que nos esperava. O grupo dos quatro tentou passar o tempinho que restava junto da família, das namoradas e dos amigos.
No fim de tarde, de 8 de Março de 1971, no átrio junto à soleira da casa da minha namorada, com a sogra debaixo de olho, estava eu namorando e gozando um pouco tentando afogar os desejos e os prazeres de dois jovens. Nestas alturas, as namoradas eram mais permissivas sabendo que ao contrário do slogan da época balnear “há mar e mar, há ir e voltar” o lema era: “há mar e ultramar, há ir e será que há voltar?”. Mesmo com a sogra do outro lado da porta entreaberta velando ou fazendo que o fazia, já o fogo nos consumia, levando-nos onde o amor, a paixão e o desejo podia levar. Não havia muitas formas de apagar o incêndio senão fundindo os corpos. Estávamos nós já na fase de rescaldo e sem ainda ter avaliado os estragos quando a sogra Maria, que não era Maria, me chamou quase gritando:

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One Comment em “RETALHOS – A sabotagem (II)”

  1. Anonymous Says:

    Nada mais terrível ,mas devassaladora que a guerra!As marcas sempre presentes.
    Os jovens com sentimentos em turbilhões sem saber o que será deles,as namoradas no desespero vendo os amados partirem.,os desejos aflorando,pelo menos naquele momentoo prazer é real
    Ligia


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