Prescindo por inteiro da pensão que me querem atribuir

Pensa o Governo do Eng.º Sócrates, reduzir para metade o valor do complemento especial da pensão para os ex-combatentes. Argumentando que o que está em causa é a sustentabilidade do Fundo de Pensões dos Ex-combatentes.

Como está na moda esgrimir a situação de crise em que vive o país, esquecendo-se sempre estes paladinos da justiça social, que governaram de uma forma ou de outra os destinos deste nosso Portugal nos últimos 30 anos, que os que eram deputados, hoje são ministros, os que eram ministros hoje são primeiros-ministros e os que eram primeiros-ministros hoje são presidentes da república.

Os economistas e outros “especialistas” de então, pululam de empresa pública em empresa pública e quando isso não lhes dá suficientes benesses, vão para as administrações de grandes empresas privadas.

Os que chegaram a altos cargos de estado, depois de lá saírem, continuam fazedores de opinião como se não fosse nada com eles pensando eles que somos todos tolos e que seguimos à risca o que vão emitindo através de uma imprensa sempre aberta a tudo o que pode vender e sobretudo a tudo que pode contribuir para que os ricos fiquem mais ricos e os pobre fiquem mais pobres.

Estes ex-combatentes nos quais me incluo, foram forçados a emigrar para um guerra injusta que lhes roubou uma juventude, um princípio de existência adulta de forma a sedimentar um projecto de vida, que passaria pela consolidação dos seus empregos e a sua vida escolar e profissional.

Hoje são sexagenários na sua grande maioria, em que o Estado em vez de lhes reconhecer os seus sacrifícios, não com esmolas como a que lhes querem diminuir para metade e estamos a falar de pouco mais de 12 euros mensais.

Olhando para estes homens que deram muito pela pátria, digo pátria sem medo da palavra, pois parece-me que hoje o sentido de pátria está conotado com a direita e extrema-direita quando não deve, nem pode ser apropriada por nenhum grupo ou facção politica, muitos ainda precisam da ajuda da sociedade, quer nos seus traumas e deficiências físicas e mentais, quer nesta camada de sexagenários, que ainda estão no mercado de trabalho e simplesmente tentando ganhar o seu pão no dia a dia. Era aqui que este governo devia intervir, criando condições para que estes, e não outros, se reformassem mais cedo, descansando um pouco das suas mazelas.

Pela minha parte prescindo por inteiro da pensão que me querem atribuir, canalizando-a para camaradas meus e sectores mais desfavorecidos pela sorte que vindos da guerra, não conseguiram muitos por causa disso, um emprego justo e compatível com a sua condição.

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11 comentários em “Prescindo por inteiro da pensão que me querem atribuir”


  1. É muito vergonhosa essa remuneração, e ainda mais prá ser reduzida! Não há como compensar todos os reflexos das perdas sofridas numa guerra, ainda mais uma guerra tão longa, mas pelo menos seriam atenuados estes tais reflexos com uma retribuição financeira mais justa. Excelente a defesa que você faz e o seu gesto em sentido de favorecer seus companheiros então reforça a nobreza de caráter que sempre vi em você.

    Beijos

    May

  2. Manuel Natálio Says:

    Se me tirarem metade da pensão que não recebo, fico na mesma. Pois se metade de nada é nada mesmo.
    31 meses de comissão de serviço, em Moçambique desde Maio de 63 a Dezembro de 65, foram suficientes para me reduzirem a metade uma coisa que nunca recebi, é caso para dizer, que estamos bem servidos de zééééeeees. leia-se (zé sócrates)

  3. jose alberto carmona Says:

    um abraço camarada

    façam como eu que mandei estes tipos meterem a pensão num sitio que eu ca sei são todos uma cambada de vigaristas

    um abraço

    carmona ex soldado paraquedista 145/67

  4. helena Says:

    é lamentavel…este governo é lamentavel…
    Obrigada a esse governo pelos ex combatentes..tb tenho um marido que teve em Moçambique..achas que um dia vao receber algo, mesmo essa metade ? se calhar essa metade ainda vao achar que é demais..
    obrigada pela informaçao que nos das sempre…
    um beijo

  5. Manuel Gomes Says:

    Caro José Marques:
    Não percorri os caminhos de África por si trilhados ( sou de uma geração sem bilhete de ida para a guerra, devido ao 25 de Abril) nessa missão tão dificil e injusta para várias gerações de jovens portugueses, mas subscrevo inteiramente este seu texto sobre as pensões dos ex-combatentes.
    Eles na verdade demonstram uma total ausência de patriotismo por quem tanto sofreu e morreu na defesa de valores hipócritamente assumidos pelos governantes do regime deposto pelo 25 de Abril.
    Um Abraço

  6. V. Graça Says:

    O Sr. Engº. Sócrates só se lembra da crise do país quando trata de assuntos relacionados com o facto de tirar alguma regalias ganhas pelos portugueses mais pobres, porque será que só pobre é que tem que pagar a crise?
    Esquece-se também que os ex-combatentes não foram para a guerra de livre vontade mas obrigados pelo Estado, portanto o Estado tem por obrigação cuidar e ajudar as pessoas que sem ser de sua vontade foram lutar numa guerra, que era pela Pátria sim senhor, mas para qual foram sem hipótese de escolha ou opinião.

  7. castelar Says:

    esses senhores andam a vigarizar-me, pois estão a roubar à minha pensão de reforma 27 meses que estive em angola, passados sempre em zonas de risco e, passando por cima do dec. lei 9/2002 , que me contava esse tempo para contagem de tempo de serviço.
    estou reformado e ainda espero que me façam justiça.
    também estranho a passividade das organizações que nos deviam defender.
    que fiquem com os míseros 150 euros que me pagavam pore ano, e me contem os 27 meses que la´estive como tempo de serviço

  8. Renata Silva Says:

    Caro Zé cada vez te admiro mais, conseguiste surpreender-me pela positiva. Agora o que interessa , não posso concordar mais contigo, o meu pai também andou em Angola na guerra e foi lá que eu nasci ,mas o meu pai foi para 1 guerra que não era dele obrigado, e querem tirar-lhe metade da “fortuna” que recebe, nunca nenhum governo se preocupou se ele tinha traumas ou não, se precisava de médico ou não, nem eu nem a minha irmã conseguimos algum dia ter 1 conversa com ele sobre esse assunto pk mesmo sem nos dizerem esse assunto foi quase sempre “proibido ” em casa, mas depois de tudo isto o que acho mais piada é estes miudos que agora se oferecem como voluntários para 1 guerra que não é nossa, para ganharem “balurdios” de dinheiro por mês e se por acaso, sim por acaso se esquecerem e estiverem a brincar com 1 granada pk não sabem sequer o sentido de pátria se magoam ficam a receber 1 gorda pensão vitalicia pk estiveram a brincar e a estes Homens que defenderam a nossa pátria com o sentido de pátria querem tirar 1 coisa que foi adquirida por direito.Acho que já percebeste o meu raciocinio e não tenho mais nada a dizer sobre este País e governantes que tão mal me receberam quando me escurrassaram da minha terra, por isso nunca me adaptei a este País

    Beijo

    Renata

  9. zéribeiro Says:

    Acho que já percebeste o meu raciocinio e não tenho mais nada a dizer sobre este País e governantes que tão mal me receberam quando me escurrassaram da minha terra, por isso nunca me adaptei a este País Beijo Renata

    Zé ,se me permites responder à senhora ; teria algo a dizer com muito carinho , pois ela apresenta a realidade passada e a realidade presente das nossas forças Armadas com muita sensibilidade e uma certa amargura: eu, de certo modo, identifico-me com as suas angustias e dissabores de um País que se serviu dos seus filhos , e depois os arrumou para um canto ,onde ainda hoje estão esquecidos !!
    Não vou acrescentar mais a este parágrafo , senão que a coisa que me rói mais na alma é ,estes novos herois adulatrados por todo o País sem nenhuma lógica de o serem ! 1° não combatem ,2° passam umas boas férias que até me fáz inveja e 3° sinto-me muito grande e grande heroi nacional quando me falam de os novos antigos combatentes das missões de Páz,,,

    Uma coisa me chamou à realidade de há 30 anos: que quando ia de férias a Portugal não era essa a ideia que tinha dos returnados ,pois que me dava a impressão que estavam a viver bem e á custa do estado ! em todo o caso quando viajava, as pensões e hoteis estavam sempre completos porque lá viviam este pessoal de Africa , onde eu se fosse para o meu País por não ter trabalho aqui ou por outro motivo não tinha direito a nada de nada nem de um copo de água.
    Para terminar a unica nota falsa na narrativa da Dona Renata , é o que eu sublinhei a vermelho. Com muito custo tenho que dar resposta ,mas a senhora fala com tanta mágoa que esito em lhe dizer que não estou de acordo ! Se não vejamos, em poucas palavras , pois é o mesmo que digo quando um Português fala assim da Suiça: não te adaptaste, não gostas ,és critico ao ponto de escarrares na sopa! Meu amigo, no teu lugar ia para o teu País, pois é lá que te vais sentir feliz e realizado; coisa que por aqui nunca o vais conseguir , não tens mentalidade e motivação para viveres num País que não é o teu. Se continuares fás-te pequenino e integra-te na sociedade da tua classe social e não nas alturas porque aqui os tetos são muito baixos.

    abraços
    Zéribeiro

  10. Lucifer Says:

    Mais uma afronta deste Estado, ou será melhor escrever estado, contra todos aqueles que levados à força foram para uma luta que não era deles.
    Depois de perdidos no mínimo três a cinco anos da nossa juventude, deram-nos uma esmola como compensação.
    Agora até esse pouco nos querem tirar. A que recebi no ano transacto foi dividida por três instituições publicas pois o valor não aquecia nem arrefecia o meu orçamento. Felizmente posso dizê-lo, mas há muitos de nós a quem esse pouco é uma grande ajuda.
    Não há dinheiro para uns, mas para pagar reformas chorudas a oficiais e quejandos, que nada fizeram na maioria dos casos não pode faltar.
    XULOS!!!

  11. ANTONIO-MANUEL Says:

    ESTOU DE ACORDO COM QUE DIZ A SRª RENATA, POIS EU TBEM ESTIVE NO ULTRAMAR ANGOLA ENTRE 73 -75 TIVE QUE IR POIS ME OBRIGARAM-QUANDO CHEGUEI HAVIA AQUASE UMA GUERRA CIVILAQUI EM PORTUGAL EMPREGO DIFICIL TIVE QUE ME VIRAR PARA TUDO QUE PODIA E HOJE AINDA ESTOU A SOFRER POR ISSO. MAS QUE FAZER!! GOSTARIA ERA DE SABER O QUE POSSAMOS FAZER PARA QUE JUNTOS CONSIGAMOS ALGUMA AJUDA TENHO DITO ANTONIO-MANUEL


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