Archive for the ‘… da Política & sociedade’ category

QUANDO ALGUNS POLÍTICOS NOS FALAM…….

Fevereiro 14, 2008

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Uma questão de peso

Fevereiro 11, 2008

Por outras palavras

O ex-bastonário Júdice acusou na TV o actual bastonário Marinho Pinto de ser “gordo”, comparando-o a outros dois desprezíveis gordos, Chávez e Mussolini. Isto porque o actual bastonário disse alto e bom som que “há uma criminalidade em Portugal, da mais nociva para o Estado e a sociedade, que anda aí impunemente. Muitos exibem os benefícios e lucros dessa criminalidade e não há como lhes tocar. Alguns até ocupam cargos relevantes no Estado português.”

E, pior, disse que se “esbanjam milhões de euros em pagamentos de serviços cuja utilidade é duvidosa”. Só, de facto, um gordo se lembraria de falar em público de uma coisa destas. Um gordo ou um tipo com “voz de cana rachada” (a fina metáfora é também de Júdice) como Louçã.

Do que o país precisa é de homens de cara laroca, elegantes e de voz maviosa como o próprio Júdice. As ideias engordam e ninguém vai a lado nenhum com ideias.

Além do mais, a magreza (incluindo a magreza de propósitos) permite passar por certos interstícios político-partidários e atalhar caminho.

Parece que o Supremo Administrativo obrigou agora o Governo a revelar os “pagamentos de serviços” que vem fazendo a alguns advogados. Talvez então Marinho Pinto perceba, e os portugueses também, quanto vale (em milhões de euros) ser elegante.

Manuel António Pina

Alarmismo? Porque não

Fevereiro 8, 2008

É preciso avisar toda a gente, dar notícias informar prevenir

São precisos mais Marinhos e Garcia Leandro para que deixemos de ter medo. Medo de perder o emprego, medo de dizer o que pensam, medo de se revoltarem, medo de ser politicamente incorrectas, medo… Alarmes ao alarmismo cheiram a manutenção do status quo, das coisas como estão.

Foi o Bastonário Marinho Neves, agora é responsável do Observatório de Segurança General Garcia Leandro

É muito preocupante que um general, que exerceu aquelas funções no Estado e com aquele sentido de responsabilidade, tenha dito o que disse e que tenha sido porta-voz das preocupações de muitos portugueses.

«É preciso avisar toda a gente

Dar notícias informar prevenir

Que por cada flor estrangulada

Há milhões de sementes a florir.”

Se ninguém sentir as razões do alarme na pele, não se lhe ligará muito. Mas, se muita gente sentir essas razões, o peso do alarme terá consequências bem reais…

Estou farto!!!

Indigne-se você também como o que se passa neste país e pode ser que passe a encher as fileiras dos alarmistas, pois de conformistas está Portugal farto…

Estou farto!!!

Corrupção

Fevereiro 7, 2008

O que é que disse o bastonário dos advogados de tão extraordinário para causar tal estremecimento nacional? Que há negócios chorudos feitos com empresas por ministros que acabam nos respectivos conselhos de administração. Que há verbas a engrossar miraculosamente as contas de partidos, após certos e determinados governantes terem, alegadamente, feito manigâncias com o património do Estado. Que a confusão entre o Estado e os privados é total, sempre em prejuízo do primeiro, ou seja, nós, cidadãos, e a favor dos últimos. Enfim, que “a corrupção do Estado” é o cancro da nossa sociedade.
Não disse, portanto, nada de especial nas entrevistas que deu à Antena 1 e à SIC. Nada que não tenha já sido escrito e reescrito e denunciado vezes sem conta, mas com efeitos práticos quase nulos, como se percebe pelo elevado número de inquéritos por corrupção arquivados.

Sucede que Marinho Pinto é o recém-eleito bastonário da Ordem dos Advogados. E o peso do que diz tem uma preponderância que não teria se fosse apenas mais um advogado, neste caso a pender para o trauliteiro. Tem obrigação de aprofundar o que afirma, sob risco de cair em descrédito. Sucede que Marinho Pinto usou a palavra proibida e que tantos engulhos colhe num país de alegados bons costumes, mas entalado até aos olhos nos esquemas do salve-se quem puder corrupção, e do Estado. O resto é só somar. “Corrupção do Estado” é igual a corrupção de governos e os governos têm estado na mão do Bloco Central. Não vale a pena sacudir a água do capote e dizer do “meu não, do meu não”.

Domingos de Andrade,

À atenção do Ex.mo Senhor Bastonário

Fevereiro 6, 2008

À atenção do Ex.mo Senhor Bastonário

 

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Na sequência da meritíssima Campanha que o Sr. Bastonário resolveu empreender contra a cáfila que nos,  vem governando  e connosco se vai governando de há bastantes anos a esta parte, vimos juntar algum material recebido de um nosso contacto – seguramente do conhecimento do Sr. Bastonário – e reiterar o total apoio na dificílima cruzada que encetou.
Não será e V. Exª sabe-o um caminho fácil. Muitos cordeiros irão balir com voz de lobo para tentar assustar mas há uma coisa que normalmente acaba por suplantar o medo… que é a RAZÃO.
Claro que todos sabemos daquilo que o Senhor Bastonário falou! Por vezes não é cómodo, inteligente, ou do interesse clubistico assumir posições em nome do colectivo e  daqueles que, por condicionalismos de toda a ordem  – miséria, ignorância, lachismo… – se deixam “esmagar” pela esperteza saloia dos que um dia se comprometeram a melhorar-lhes a vida e a dar-lhes um pouco mais de dignidade.
Quase sempre é o carisma de alguém que ajuda a “mover as massas” e a restaurar a dignidade das sociedades.
Se V. Ex.a tiver dado o pontapé que catapulte a sociedade portuguesa a readequirir um pouco da muita dignidade perdida…já terá valido a pena.
Se nada deve e nada teme, não se cale Senhor Bastonário. Doa a quem doer. Mexa com quem mexer. Se um dia a sua luta ficar pelo caminho, creia que a dignidade é uma coisa que não tem preço e nunca deve estar à venda.
E se um dia necessitar de um Baixo Assinado… é só avisar avisar Sr. Bastonário. Neste país ainda há gente com vergonha na cara.

disponha sempre deste espaço

CALEM-ME A CRIANCINHA QUE NÃO CONSIGO MASTIGAR

Julho 29, 2007

Estava Miguel Sousa Tavares na TVI a comentar a nova Lei do Tabaco quando da sua boca saltou esta pérola: o fumo nos restaurantes, que o Governo quer limitar, incomoda muitíssimo menos do que o barulho das crianças – e a estas não há quem lhes corte o pio. Que bela comparação. Afinal, o que é uma nuvenzinha de nicotina ao pé de um miúdo de goela aberta? Vai daí, para justificar a fineza do seu raciocínio, Sousa Tavares avançou para uma confissão pessoal: “Tive a sorte de os meus pais só me levarem a um restaurante quando tinha 13 anos.” Há umas décadas, era mais ou menos a idade em que o pai levava o menino ao prostíbulo para perder a virgindade. O Miguel teve uma educação moderna – aos 13 anos, levaram-no pela primeira vez a comer fora.

Senti-me tocado e fiz uma revisão de vida. É que eu sou daqueles que levam os filhos aos restaurantes. Mais do que isso. Sou daquela classe que Miguel Sousa Tavares considerou a mais ameaçadora e aberrante: os que levam “até bebés de carrinho!”. A minha filha de três anos já infectou estabelecimentos um pouco por todo o país, e o meu filho de 14 meses babou-se por cima de duas ou três toalhas respeitáveis. É certo que eles não pertencem à categoria CSI (Criancinhas Simplesmente Insuportáveis), já que assim de repente não me parece que tenham por hábito exibir a glote cada vez que comem fora – mas, também, quem é que acredita nas palavras de um pai? E depois, há todo aquele vasto campo de imponderáveis: antes de os termos, estamos certos de que vão ser CEE (Crianças Exemplarmente Educadas), mas depois saltam cá para fora, começam a crescer e percebemos com tristeza que vêm munidos de vontade própria, que nem sempre somos capazes de controlar.

O que fazer, então? Mantê-los fechados em casa?

Acorrentá-los a uma perna do sofá? É uma hipótese, mas mesmo essa é só para quem pode. Na verdade, do alto da sua burguesia endinheirada, e sem certamente se aperceber disso, Miguel Sousa Tavares produziu o comentário mais snobe do ano. Porque, das duas uma, ou os seus pais estiveram 13 anos sem comer fora, num admirável sacrifício pelo bem-estar do próximo, ou então tinham alguém em casa ou na família para lhes tomar conta dos filhinhos quando saíam para a patuscada. E isso, caro Miguel, não é boa educação – é privilégio de classe. Muita gente leva consigo a prole para um restaurante porque, para além do desejo de estar em família, pura e simplesmente não tem ninguém que cuide dos filhos enquanto palita os dentes. Avós à mão e boas empregadas não calham a todos. A não ser que, em nome do supremo amor às boas maneiras, se faça como os paizinhos da pequena Madeleine: deixá-la em casa a dormir com os irmãos, que é para não incomodar o jantar. |

João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt

A “contenção salarial”

Maio 10, 2007

Enquanto, segundo a Comissão Europeia, o poder de compra dos trabalhadores portugueses registou, em 2006, a maior descida dos últimos 22 anos, a CMVM anunciou que, entre 2000 e 2005, os vencimentos dos administradores das empresas cotadas em bolsa duplicaram (e nas empresas do PSI 20 mais que triplicaram!).

Isto é, enquanto, estes senhores, pagam aos seus trabalhadores dos mais baixos salários da Europa mesmo da Europa a 25 (e todos os dias reclamam, sob a batuta do governador do Banco de Portugal, por “contenção salarial” e “flexibilidade”, a que o governo chama pomposamente de flexi-segurança), esses administradores duplicam, ou mais que triplicam, os próprios vencimentos, vampirizando os accionistas e metendo ao bolso qualquer coisa como 23,9% (!) dos lucros das empresas.

Recorde-se que o Estado é accionista maioritário ou de referência em muitas dessas empresas, como a GALP, a EDP, a AdP, a REN ou a PT, cujas administrações albergam “boys” e “girls” vindos directamente da política partidária (cada um atribuindo-se a si mesmo, em média, 3,5 milhões de euros por ano!). Se isto não é um ultraje, talvez os governos que elegemos (e o actual é, presumivelmente, socialista) nos possam explicar o que é um ultraje. O mais certo, porém, é que se calem e continuem a pedir “sacrifícios” aos portugueses. A que portugueses?

Enquanto os 10% de portugueses mais ricos são cada vez mais ricos, os 10% de portugueses mais pobres estão cada vez mais pobres.
Os dados estão aí, claros, contundentes, agressivos: 2 milhões de portugueses no limiar da pobreza.

Como dizia o Grande Zeca Afonso:
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada